Línguas de Perguntador

Quizzes, jogos, e por vezes algumas divagações...

sexta-feira, junho 03, 2005

Almoço com Deus

A nossa Ana Rita, nos comentários do Confessionário, desafiou-me.

E cá fica a minha resposta:


Por fim, de novo para a Ana Rita: um grande beijo por tudo, mas em particular um beijo enorme por duas frases tuas naqueles comentários:
"sou agnóstica. mas quando fui católica foi muito bom"
"mas é [a Igreja] como uma casa em todo o mundo, até para mim, que não pertenço muito."
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1 - Qual era a ementa que Lhe sugerias e porquê?

Hmmm. Com Deus acho que queria fazer um piquenique. Arranjávamos um carro (conduzia Ele, pelo menos uma vez na vida eu poderia dizer que me tinha deixado conduzir por Deus), uma grande cesta, uma toalha aos quadrados, um termos-barril com limonada fria e a comida: bola de carne (uma maravilhosa com azeite e cebola alourada junto dos enchidos), polvo cozido ou panado, tomates e pepinos, inteiros para cortar só no momento, uma ou duas facas, e uma caixa de plástico já com os temperos da salada. Rolo de chocolate (é uma torta enrolada, com creme de chocolate dentro e açúcar por cima). Ah, e cerejas, montes de cerejas! Uma garrafa de água. Panos para limpar as mãos. (Um saco para guardar o lixo.) Pão comprava-se no caminho, nalguma padaria de aldeia. Pão de mistura, rústico e ainda meio quente. Depois era só procurarmos um lugar agradável entre as árvores. Se fosse época de camarinhas, podíamos ir para o pinhal de Leiria e apanhar algumas camarinhas também.

2 - Que motivo teria Deus para querer almoçar contigo?

Sou filha dEle! Acho que um pai não precisa (ou não deve precisar) de motivos para querer almoçar com uma filha :)

3 - Fazia-te perguntas acerca da Igreja. Que Lhe contavas?

Que regressei há uns anos, como Ele sabe, e que tenho descoberto muito da sua beleza agora. Que Ele me surpreendeu com a escolha do nosso novo Papa, mas que confio. Que somos muitos, que temos imperfeições. Que sendo muitos a caminhar juntos, há aqueles que acham que vamos depressa demais, outros que acham que vamos devagar demais, e nem sempre concordamos no caminho a seguir. Que é como nós somos, e também como Ele nos eleva a ser.

4 - Dava-te a possibilidade de te concretizar um desejo. Que pedias?

É complicado. A paz no mundo, a cura das doenças, o fim da fome? Mas Ele responder-me-ia: "Filha, isso virá vindo devagar, conforme vós fordes sendo luz e fermento". Isso é tarefa nossa! Pedir-lhe coisas para os que eu conheço pessoalmente? Talvez, mas teria dificuldade em decidir. Só tenho um desejo e não um por cada meu ente querido! Se calhar acabava por pedir algo para mim. Isso! Pedia algo para mim: "Senhor, faz com que eu Te consiga ouvir, que nunca costumo perceber os Teus sinais". Uma versão minha do pedido de sabedoria que fez Salomão.

5 - No final da refeição, pedia-te uma recordação. Que lhe oferecias?

Passava-Lhe a mão pelo cabelo e dava-Lhe um beijo na testa. Imagino-o um velho bonito (o Pai, embora se calhar devesse ocorrer-me o Filho) e queria beijar-lhe a testa enrugada. E passar-lhe a mão pelo cabelo fino e já branco.

6 - Por fim, oferecias-Lhe um café com ou sem açúcar? Porquê?

Quando terminássemos o piquenique íamos tomar café. Com açúcar, porque o café precisa de açúcar para desenvolver o sabor. Se já fosse tarde-noite, eu não tomaria café, mas antes um chocolate quente. E acho que Lhe sugeriria que tomasse também um chocolate quente...

7 - Quem pagava a conta?

No café, cada um pagava a sua (como diz a Ana Rita, é o que eu faço com os amigos). A não ser que Ele insistisse em pagar a minha conta (outra vez, Senhor! ;) ). Quanto ao piquenique: Ele entrava com o carro e a gasolina. Eu fazia a bola de carne, o polvo, os rolos de chocolate e a limonada (mas o termos-barril era dEle). E levava a caixa com os temperos da salada. O pão, os tomates, o pepino e as cerejas comprávamo-los no caminho e dividíamos o preço. Acho que não me esqueci de nada...

8 - Quem vais sugerir (3 pessoas) para almoçar com Ele? E porquê?

Têm de ser pessoas com blogs activos? Sugiro o Gonçalo D. (o mesmo que a Ana Rita sugeriu, ele não deve ter lido nos comentários), o Gonçalo P. (que não tem blog mas por vezes lê o meu: se leres, responde nos comentários aqui), e sugeriria um almoço colectivo (lá estou eu a subverter!) com o meu grupo heterogéneo de amigos, de diversas crenças e formas de ver a vida. Porquê? O Gonçalo D., porque é uma das pessoas mais católicas que conheço, citando a Ana Rita ;), porque acho que ele ficaria sem palavra diante de Deus (desculpa, Gonçalo :) ), e porque se ele falasse no estilo críptico que usa entre amigos (e que nós tanto apreciamos!), seria engraçado... O Gonçalo P. porque sinto nele a intuição do religioso, o tremor (no bom sentido) e o respeito diante da maravilha da Criação e sobretudo diante do homem. Consigo imaginá-lo maravilhado diante de Deus (depois do choque inicial de saber que Ele existe). O meu grupo de amigos porque, se a nossa diversidade já origina conversas (e discussões) muito interessantes e por vezes acaloradas, imaginem só com Deus à mistura!

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3 Comentários:

Anonymous Catarina P disse...

Eu sei que posso ser terrível mas se me convidassem para ir almoçar com "Deus" teria de declinar porque detesto almoçar sozinha.
Catarina

3:34 p.m.  
Anonymous Gonçalo P. disse...

Acho que não conseguiria responder a nenhuma destas oito questões, porque é muito difícil imaginar-me naquela posição. Para mim a ideia de divindade faz muito pouco sentido, especialmente se a divindade tem uma imagem tão concreta, com faces e cabelos que se podem afagar... Não me sinto seduzido por ela, é uma forma de encarar a realidade que peca, a meu ver, pela falta de elegância e simplicidade... mas isto é só a minha opinião pessoal, porque consigo comprender muito bem, racionalmente, os seus muitos encantos. Por isso, tudo o que posso dizer é que se de facto me visse confrontado com fulano, e alguém mo apresentasse como sendo Deus, ficaria por certo demasiado enbasbacado para conseguir esboçar sequer uma reacção! E acho que desejaria estar rodeado por quem me pudesse ajudar a processar esta informação.

Devo dizer-te no entanto, Tânia, que fiquei um pouco surpreendido com os teus comentários (no bom sentido!, acho que as minhas orelhas terão até ficado vermelhinhas). Disse o que disse, mas a verdade é que [aquilo que eu acho que é] o sentimento religioso não me é totalmente estranho. Em mim ele manifesta-se precisamente por uma forma muito forte de respeito, amor ao e confiança profunda no Homem. E eu fiquei impressionado por o teres dito daquela forma!...

Um beijinho.

2:34 p.m.  
Anonymous Confessionário disse...

Gostei de ler. E imaginei-te por lá. Quem dera que fosse todos os dias, não?!

1:07 a.m.  

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