Ciência e inocência
Completando a posta anterior, mas agora num tom mais sério: se o prémio Nobel tem aquela aura de magia e de competição (quase olímpica) na ciência, os prémios IgNobel, longe de serem desprestigiantes, vêm relembrar-nos duma das coisas fundamentais para se fazer boa ciência: um olhar de criança.
Um professor meu costumava dizer que os cientistas são pessoas que nunca chegaram a crescer acima da "idade dos porquês". E de facto, para fazer ciência (e para pensar, e para saborear a vida a grandes sorvos, na minha modesta opinião), é preciso ter a mesma inocência de criança, que quando algo lhe desperta uma dúvida não tem vergonha de perguntar, por mais ridícula que pareça a pergunta. Ridículas não são as perguntas que vêm de pensar, mas sim as que vêm de não pensar...
Quer eu venha a fazer a minha vida na ciência ou em qualquer outra área, quero manter esta inocência no pensar, este não ter vergonha, este olhar de criança, de quem acabou de chegar e nada conhece. O mesmo olhar de criança que faz ver um anúncio e perguntar a que pressão teria de sair o gás do Sapo, ou perguntar porque não caem as coisas, o que segura as estrelas no céu, porque é que os ímans atraem os alfinetes, como funciona o detergente, porque há vento ou para que é que estamos aqui. O mesmo olhar que se maravilha com o funcionamento de um mecanismo ou de um organismo.
Sei pouca coisa. Mas sei que só quem não tem de vergonha de andar à procura de respostas pode chegar a elas. E às vezes neste processo de pergunta e resposta acaba por se tropeçar numa verdade inesperada, numa resposta à pergunta que não tínhamos feito, mas que está ali na nossa frente, desde que tenhamos olhos para a ver. Olhos de criança.
Etiquetas: Coisas_sérias, cromices, Eu, pensar vicia

1 Comentários:
Um bom comentário sobre o que é, ou devia ser, o espírito científico, e sobre as razões para gostar de ciência. Tanto mais importante numa época em que vemos a ciência ser tantas vezes atacada, acusada de tudo o que acontece de mal e ao mesmo tempo de não fazer nada para o impedir.
Não está na moda ser cientista. No entanto, quem a critica continua a utilizar a tecnologia que a ciência tornou possível. Ainda bem que nem toda a gente vai em modas...
Beijinhos!
Gabriel
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