Orações 3
Quando era pequenina, como já contei (Orações 2 e Orações 1), todas as noites rezava uma sequência de orações. Retomando o tema, recordo as duas orações que começavam e terminavam a sequência(*). Que, aliás, não podiam ser mais adequadas à entrada número 3.
Eram elas:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. (Amen)
e
Pelo sinal da Santa Cruz
livre-nos Deus nosso Senhor
dos nossos inimigos.
Benzer-se, e persignar-se.
E terminava pela ordem inversa: persignar-se e benzer-se. Benzer-se traçando uma cruz grande (a Cruz implícita, gestual, e a Trindade explícita, verbal) e persignar-se com três cruzes pequenas, sobre a cabeça, a boca e o peito (a Trindade em gesto, a Cruz explícita). Espelho uma da outra, de certa forma. Orações simples o suficiente para uma criança, curtas o suficiente para não ter tempo de me distrair, com gestos para poder orar também com o corpo.
Talvez por isso o meu Catecismo à maneira antiga, de perguntas e respostas, recomendasse estas duas orações, benzer-se e persignar-se (duas formas do Sinal da Cruz) constantemente. Na minha memória de criança, fiquei com a ideia que dizia que deviam rezar-se "antes e depois das refeições (nunca o fiz, nem sei se o Catecismo dizia isto ou o imaginei...), ao começar e terminar a oração, ao entrar e sair de uma igreja" e não me lembro do resto.
Admito que quase só o faço na igreja. Mas talvez pelo seu lado físico, quando de repente tenho vontade de orar ao Senhor sem lhe dizer nada (sim, é uma contradição, eu sei), o meu primeiro instinto é benzer-me. Tenho vergonha e nunca o faço. Mas é um instinto que ficou, como quem toca um amigo sem sequer lhe dizer nada.
(*) Uma espécie de "Liturgia das Horas" em versão criança, permitam-me o abuso de linguagem.
Etiquetas: Eu, fé, fé_ou_falta_dela

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